quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O pior da vida...

Um dos motivos que me manteve longe da blogosfera foi dos piores possível... não há nada pior do que perder as pessoas que amamos!

No dia 9 de Setembro de 2017 faleceu o meu pai.

Nunca aqui falei na doença dos meus pais porque escolhi não o fazer, mas a morte do meu pai é incontornável... não dá para evitar o assunto. E talvez também me faça falta escrever sobre isso...

O meu pai tinha feito 88 anos em Agosto. Uma idade bonita...
Há cerca de 6 anos que tinha um diagnóstico de Alzheimer, que progrediu de forma rápida (pelo menos muito mais rápido que a minha mãe que já tem o mesmo diagnóstico há quase 15 anos)

É uma doença tramada... de alguma forma as pessoas vão "desaparecendo" pouco a pouco. A memória vai falhando progressivamente, até que ficam as recordações da infância e juventude (o meu pai insistia que tinha de ir dar de comer aos animais na casa onde foi criado, apesar de já não morar lá há mais de 60 anos...)
Custa quando deixam de nos conhecer (aos familiares) mas conseguimos lidar com isso ao percebermos que apesar de não saberem quem somos o sentimento quando nos vêm continua a ser o mesmo (o mesmo sorriso e os olhos que se iluminam). Neste aspeto, o meu pai tinha dias melhores e outros piores (uns dias reconhecia-nos e noutros não)

Quando, apesar do Alzheimer, eles estavam bem fisicamente, foi mais fácil de levar... houve uma altura maravilhosa, há uns dois anos, talvez, que eles andavam felicíssimos, e diziam:
- Nunca estivémos tão bem... temos saúde, não temos que fazer nada, passeamos os dois, conversamos um com o o outro...
(a parte boa do Alzheimer é que os próprios deixam de ter consciência da situação em que se encontram...)

Depois disso o estado de saúde do meu pai foi piorando devagarinho... não tinha apetite (ele tinha também problemas renais) e foi perdendo peso gradualmente. Era um castigo para o convencer a comer... ele dizia que não conseguia comer sem vontade.

(afinal tenho tanta coisa para escrever... continuo amanhã)


3 comentários:

  1. Lamento imenso... Também convivi de perto com essa doença e realmente é muito triste saber que a pessoa está lá, mas ao mesmo tempo já não está, assusta-me muito.

    ResponderEliminar
  2. Oh, realmente poucas coisas (se alguma) serão piores do que perder as pessoas que nos são mais próximas e a quem mais amamos. Não convivi com a doença de Alzheimer, mas imagino que seja perder a pessoa antes de perder a pessoa, ou seja, que seja a dor a dobrar. Beijinhos e ânimo!

    ResponderEliminar